Primavera 61 - ALBINO BADINELLI

ALBINO BADINELLI nasce na manhã de 6 de março de 1920 em Santo Stefano d’Aveto, Itália.ALBINO BADINELLI
Sétimo dos onze filhos de Vittorio Badinelli e Caterina Ginocchio, dedica-se desde cedo ao trabalho no campo, numa vida de privações e sacrifícios.
Seus dias decorrem entre a casa, o campo e a igreja. Dos pais recebe o afeto e a fé. Desenvolve um forte sentido de religiosidade, enriquecido pelos valores humanos e cristãos, como a generosidade, a caridade, a bondade e o espírito de serviço.
Dotado de sensibilidade e talento, dedica-se à arte, ao desenho e ao canto. Participa no coro paroquial nas solenidades litúrgicas e, sempre que possível, todas as manhãs na eucaristia diária.
Aos poucos, descobre a "vocação" da sua vida: ser carabiniere (equivalente a militar da GNR).

Em 1939 ingressa na Academia Militar de Turim. No ano seguinte, é transferido para a Legião de Messina. Em maio de 1941, é designado para a Legião de Nápoles, entretanto mobilizada para os Balcãs, território declarado em estado de guerra, em setembro de 1941.
Em 1944, já regressado ao país, seu quartel é vítima de um ataque. Na ausência de um comando, ele é dispensado, até novas ordens, e volta para casa. Aí encontra sua família desolada, por causa de seu irmão Marino, desaparecido na campanha militar da Rússia. Assim chega o verão de 1944, período difícil para a comunidade de Avetana, devido aos numerosos deslocados presentes na área que fogem perante a ameaça alemã. Albino ajuda como pode.
Os dias seguintes são para todos os mais terríveis e sofridos. Muitas localidades – incluindo sua povoação – são atacadas, perdendo-se muitas vidas nos confrontos entre o exército nazista-fascista (dos aliados Alemanha e Itália) e homens pertencentes à resistência. Acontece que 5 soldados fascistas são mortos. Em retaliação, o comandante das tropas de Mussolini intima que os guerrilheiros se entreguem, sob pena de fuzilar seus prisioneiros, além de deitar fogo à aldeia. Albino, embora não fosse membro ativo da resistência, movido pelo espírito de responsabilidade para com seus amigos, conterrâneos e parentes, apresentou-se espontaneamente ao Comando Fascista. “Tenho que aparecer antes que alguém seja morto, porque não terei mais paz!"
Perante o Comandante, Albino expressa suas intenções de paz, juntamente com a sua rendição espontânea. Porém, o mesmo oficial, sem hesitar, acusa-o de desertor e pronuncia a sentença de morte.
É 2 de setembro de 1944, por volta do meio-dia. Albino pede para poder confessar-se. Tal a permissão não lhe é concedida, mas consegue, no entanto, fala com o padre Giuseppe Monteverde, a caminho do local da execução. Confia-lhe as suas últimas palavras para sua família e seu povo, e confidencia-lhe que perdoa aos seus acusadores. O sacerdote, tem ainda tempo de entregar-lhe um crucifixo e sua bênção.
Chegado em frente ao cemitério de Santo Stefano, Albino é colocado de costas para a parede, pronto para ser fuzilado. O jovem carabiniere, beijando com reverência o crucifixo e olhando para Cristo, repete, com profunda fé e humildade, as mesmas palavras de Jesus na cruz: “Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem! ” Três tiros, dois no coração e um na cabeça, abatem Albino.
Naquela parede, hoje, se ergue uma placa que diz: “Sob o pelotão de fuzilamento, vítima inocente, em 2 de setembro de 1944, aqui caiu serenamente perdoador, o Carabiniere Badinelli Albino. Ó tu que passas, curva-te à sua memória e reza por ele e pela paz do mundo.”
Este gesto de amor supremo, serviu para salvar os 20 reféns da morte certa e a povoação da destruição. Tinha 24 anos. Sua noiva, chamada de albina, jamais o esqueceu. Quando morreu, há alguns anos, pediu para ser enterrada com as cartas que albino lhe escrevera.
Memória do sacrifício de Albino Badinelli, uma rua do município leva seu nome.

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